Em reunião realizada nesta quarta-feira, 24, na sede do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), médicos da Sociedade Sul-mato-grossense de Anestesiologia relataram ao presidente do CRM-MS, Juberty Antonio de Souza e aos Conselheiros Antonio Carlos Bilo e Luiz Henrique Mascarenhas, as dificuldades de negociação da categoria com o Governo do Estado, que não paga pelos serviços dos anestesiologistas que atuam no Hospital Regional desde o mês de maio. Segundo a médica Renate Vogl Hargesheimer e o médico Siro Sokio Furuguem, o contrato é feito com uma empresa que repassa os honorários aos médicos que a compõem. O pagamento do governo deveria então ser feito a esta empresa, o que não vem ocorrendo. Em torno de 70 médicos anestesiologistas prestam serviço no Hospital Regional em forma de rodízio, sendo cinco durante o dia, dois durante à noite e mais os que ficam de plantão de sobreaviso. O CRM-MS acompanha as negociações entre a direção do Hospital Regional e a empresa por meio de ofícios, que foram lidos na reunião pelo presidente do Conselho. Segundo Juberty de Souza, o CRM-MS apoia o movimento e as decisões dos médicos desde que estejam de acordo com o que prevê o Código de Ética Médica. “Só é preciso informar o Conselho com antecedência e garantir que uma eventual paralisação não afete os atendimentos de urgência e emergência”, alertou. Os anestesiologistas aguardam uma resposta do governo estadual sobre o pagamento da dívida até meados de dezembro. Sobreaviso e eletivas Outros assuntos debatidos na reunião foram a não remuneração dos médicos que estão de plantão de sobreaviso e a realização de muitas cirurgias eletivas no período noturno. Segundo a médica anestesiologista Renate Hargesheimer, é prática comum os anestesistas ficarem de sobreaviso e não receberem nada por isso, o que, de acordo com o Conselheiro Luiz Henrique Mascarenhas fere a Resolução 1.834/2008 do CFM que prevê, em seu artigo 2º que: “a disponibilidade médica em sobreaviso, conforme definido no art. 1º, deve ser remunerada de forma justa, sem prejuízo do recebimento dos honorários devidos ao médico pelos procedimentos praticados” e que tal remuneração deve ser acordada com a direção da unidade de saúde. Sobre o aumento de cirurgias eletivas no período noturno, os médicos anestesistas alertam para possíveis complicações aos próprios pacientes. “Tem acontecido muita cirurgia à noite, cirurgias grandes, complexas e demoradas. Isso gera problemas nos plantões dos anestesistas. À noite deveriam acontecer apenas as urgências e emergências”, relata a médica Renate Hargesheimer. O Conselheiro Luiz Mascarenhas orienta que os profissionais procurem as vias legais para negociar com as direções dos hospitais formas de reduzir a marcação de cirurgias eletivas no período noturno, a fim de evitar indisposições.
Anestesiologistas reúnem-se com CRM-MS
25/11/2010 | 00:00