Danúbia Burema Usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) reclamam da estrutura precária oferecida para o cadastramento do Cartão Nacional de Saúde. Desde outubro de 2008, quando passou a ser obrigatório para agendar consultas, cerca de 160 pessoas passam diariamente pela unidade da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) no bairro Santa Dorotéia, para cadastramento. Os usuários reclamam do atendimento “degradante”. O acesso à sala de atendimento é na lateral do edifício. Um homem que pediu para não ser identificado, reclama que o local não tem acomodações adequadas. “O estado é crítico e tem gente de idade aqui”, diz, ao reclamar de deficiências como a falta de bebedouro e fila. “Para ir ao banheiro, as pessoas têm que sair do prédio e dar a volta pela calçada para entrar por outra porta”, relata. Além disso, ele reclama do calor da sala onde a população tem de esperar. Sem ventilação, o corredor fica abafado por conta da grande quantidade de pessoas. “A gente tem que se submeter. Para mim, isso aí é uma humilhação para o ser humano”, afirma. A zeladora Edna Maria Domingos, de 39 anos, teve que sair mais cedo do trabalho para se cadastrar. “Eu fui marcar consulta no posto e não pude, porque não tinha o cartão”, conta. Além da obrigatoriedade do cadastro, ela reclama da demora no atendimento. “É horrível aqui. E olha o tempo que eu estou esperando”, diz após 2 horas. A dona-de-casa Marizete Mariano Corrêa, de 23 anos, aos cinco meses de gravidez conta que não pôde sequer dar início ao pré-natal, porque não possuía o cartão. Hoje, teve de enfrentar o tumulto. Sem atendimento – Por conta da exigência do Cartão Único para agendar consultas desde outubro do ano passado, a demanda pelo cadastramento aumentou significativamente, explica a coordenadora do cartão nacional da Sesau, Luiza Alencar, de 50 anos. Apesar de fazer parte de uma política nacional de saúde implantada em 2000, a exigência passou a ser feita somente no final de 2008. “Existia descaso das pessoas no cadastramento, porque elas eram atendidas de qualquer forma”, afirma. Mas, para organizar o atendimento e a regulação das vagas, ele se tornou indispensável. “O sistema de regulação não valida agendamento se não tiver o número do cartão”, explica. Por conta disso, quem utiliza o SUS precisa passar pelo cadastramento. “Todos os usuários do SUS precisam do cartão nacional”, garante a coordenadora. Com a obrigatoriedade para agendar consultas pela central de regulação, o cadastramento foi direcionado apenas para a Sesau. “Tivemos que centralizar o cadastramento, porque os postos de saúde não podem exigir documentação para atendimento”, afirma Luiza Alencar. Por conta disso, todos os usuários do SUS na Capital têm de passar pelo cadastramento que é realizado apenas no prédio da Sesau. Justificativa – A coordenadora do cartão nacional explicou que o local onde as pessoas recebem atendimento é provisório, pois o serviço deverá mudar para um prédio próprio na avenida Afonso Pena nos próximos 60 dias. No total, serão 7 meses de atendimento no prédio, “Ali ficou tudo muito provisório. A gente fez o que pôde, mas sem recurso porque o recurso está sendo centralizado para o novo prédio”, justifica. Alencar reconhece que a estrutura é precária, mas garante que os funcionários fazem o máximo de esforço para atender bem as pessoas. Ela nega a falta de banheiro para o público, e garante que as pessoas têm acesso ao dos funcionários que fica no interior da repartição. A mesma justificativa foi dada para a ausência de bebedouros. Além da compreensão dos usuários em relação à estrutura, a coordenadora pede atenção das pessoas na hora de procurar a Sesau. “Tem gente que chega lá com 16 solicitações de cartão, mas não leva comprovante”, diz. Para realizar ou atualizar o cadastro, os usuários devem levar um documento pessoal – RG, certidão de nascimento ou casamento – e um comprovante de residência ou fatura nominal. Sem isso, não é possível solicitar o Cartão Nacional de Saúde. (fonte: jornal online Campo Grande News – 31.03.09)

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