Operadoras têm necessidade de recursos para manter o serviço a quatro milhões de usuários

Alvo de constantes reclamações de consumidores, as empresas que administram planos de saúde precisam de pelo menos R$ 40 bilhões para fechar suas contas e resolver os problemas de solvência que podem deixar pelo menos quatro milhões de clientes desassistidos. Foi o que ressaltou ontem Samuel Monteiro, diretor da Bradesco Seguros. Ele se referiu às operadoras que estão sem condições de atender às exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No total, pelo menos 257 planos de saúde e odontológicos, de um total de 1.420 em funcionamento no país, estão sob intervenção, pondo em risco o atendimento a quase quatro milhões de associados. Das firmas em dificuldades, 87 (com 1,3 milhão de beneficiários) entraram na lista de preocupações de julho do ano passado para cá.

“Os R$ 40 bilhões são importantes por representarem uma reserva técnica que garantirá o funcionamento dos planos no futuro. Temos de lembrar que o mercado de saúde está em franco processo de expansão, com a incorporação de novas classes sociais”, disse Monteiro. A perspectiva é de que o setor avance mais de10% ao ano nas próximas décadas. Hoje, 60,1 milhões de pessoas – o equivalente a 23,9% da população do país – têm planos de saúde. No caso dos convênios odontológicos, apenas 7,6% dos cidadãos são atendidos, indicando espaço para a expansão do segmento.

Custo anual

Apesar dos fortes avanços do setor, as operadoras reconhecem que ainda há muito o que melhorar. Na avaliação dos representantes da área presentes no 5ª Conferência Brasileira de Seguros (Conseguro), as companhias precisam dar maior transparência a suas ações. Isso vale tanto para as relações com os consumidores quanto para os contratos com médicos e hospitais. “Queremos o consumidor consciente, que faça o plano que melhor se encaixe à sua realidade. Mas, para isso, terá de pagar o preço justo”, afirmou José Cechin, diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

Segundo pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o setor desembolsou, em 2010, mais de R$ 58,4 bilhões em despesas assistenciais e o total de receita de mensalidade foi de R$ 72,5 bilhões. Os gastos dependem de diferentes fatores, como variações econômicas e culturais de cada país. No Brasil, o custo anual, por pessoa, passou de US$ 412, em 1995, para US$ 943, em 2009, enquanto nos Estados Unidos cresceu de US$ 3,7 mil para US$ 7,4 mil.

“O mercado de saúde está em franco processo de expansão, com a incorporação de novas classes sociais”

Fonte: Samuel Monteiro, diretor da Bradesco Seguros

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