Prevenção e promoção da saúde do trabalhador foram alguns dos temas que abriram o debate no IV Fórum de Medicina do Trabalho realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O evento teve início na manhã desta sexta-feira (05), em Brasília, sob coordenação da conselheira federal Rosylane Rocha e contou com trasmissão ao vivo.

O presidente do CFM, Carlos Vital, ressaltou que “o desempenho ético da medicina se dá no dia-a-dia e a Medicina do Trabalho exerce papel fundamental e de extrema relevância social e de cidadania”.

Formação – O título de especialista em Medicina do Trabalho é concedido ao médico que conclui a residência médica ou curso de especialização acreditado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). De acordo com Nívio Lemos Júnior – diretor da Associação Médica Brasileira (AMB) – hoje, no Brasil, há 2603 médicos do trabalho.

O Decreto 856/2015 foi destacado como a norma que deu segurança jurídica às especialidades médicas, reconhecendo a importância do progresso técnico-científico da profissão. “Nada que não é jurídico, prospera – ainda que seja ético e moral”, ressaltou Carlos Vital.

João Anastácio, diretor de ética e defesa profissional da ANAMT, alertou que o Brasil é recordista em acidentes de trabalho e doenças laborais, sendo que o sudeste é a região com maior incidência desses e também com a maior concentração de especialistas em Medicina do Trabalho.

Insalubridade – A Lei 13.287/2016 inseriu na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) o artigo 394-A, que determina que a gestante será afastada, durante a gestação e a lactação, de atividade insalubre. A partir dessa norma, o desembargador Sebastião de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, discorreu sobre o tema abarcando o arcabouço jurídico existente sobre trabalho insalubre e gestação ou lactação.

Dentre os pontos de conflito na legislação brasileira, está a responsabilidade pelo pagamento do salário da empregada afastada e oneração do empregador – visto que a lei não a coloca como uma responsabilidade previdenciária.

Sobre o início do direito da gestante, de acordo com o desembargador, o direito passa a ser dado a partir da notificação da empregada ao empregador. Em caso de negativa do empregador, cabe pedido de indenização indireta, denúncia ao Ministério Público e ao sindicato da categoria. Se houver dano causado pela continuidade do trabalho durante a gestação ou lactação em razão de negativa do empregador, há possibilidade de responsabilização jurídica.

Outro ponto destacado sobre a lei pelos participantes foi a necessidade de se lutar pelo trabalho saudável, pela proteção à gestante e ao feto. “Orientar os empregadores para que mantenham as gestantes em seus empregos, coibindo o assédio moral. É isso que cabe a nós, médicos do trabalho, cumprir a lei e proteger a empregada gestante,” concluiu a coordenadora Rosylane Rocha.

Perícia médica – O coordenador de perícias ocupacionais do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Josierton Bezerra, falou sobre o Decreto 8691/2016 – que trata da realização de perícias médicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pelo INSS e por reconhecimento de documento.
O Decreto, que ainda depende de normatização, prevê a realização de perícias pelo SUS. De acordo com Bezerra, apesar de o decreto buscar melhorar o acesso do beneficio ao trabalhador, apresenta questões frágeis, como: conhecimento da legislação previdenciária; atrito ético na relação entre perito e assistente; e o uso político do decreto em municípios onde não há assistência previdenciária.

Exame toxicológico – A Lei dos Motoristas, como é conhecida a Lei 13.103/2015, foi tema da conferência da presidente da ANAMT, Marcia Bandini. Motoristas profissionais devem fazer exames toxicológicos antes da admissão e no desligamento, sendo garantida a contra-prova, sendo exigida a janela de detecção mínima de 90 dias – com validade de 60 dias. O exame deve ser repetido a cada 2 anos e 6 meses.

Segundo Bandini, a legislação é insuficiente, gera dúvidas de execução e dilemas éticos – como a falta de garantia de confidencialidade e da cadeia de custódia das amostras. A ANAMT pediu oficialmente a revogação da Lei dos Motoristas e publicou recomendações aos médicos do trabalho e diretrizes técnicas, disponíveis no site www.anamt.org.br

Êxito – Para a coordenadora do fórum e da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho, Rosylane Rocha, “o evento trouxe em sua programação a excelência de temas e palestrantes com a participação de mais de 100 médicos do trabalho. Pontos relevantes sobre formação, legislação, perícia médica e atuação do médico do trabalho esquentaram os debates. Por certo, sairão todos com a bagagem do conhecimento mais pesada e com mais orgulho de ser médico do trabalho”.

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