Renato Lima Os corredores da Santa Casa de Campo Grande estão ainda mais superlotados nesta semana. A cena que já não é inédita reflete a falta de vagas no Pronto Socorro, Emergência e ocupação dos 650 leitos do maior hospital de Mato Grosso do Sul. Dessa vez o alerta vem da própria instituição, que sem poder atender os pacientes já internados, continua recebendo gente, muitos do interior do Estado, pelo sistema Vaga Zero. O procedimento, criado para garantir o atendimento de casos de emergência de pacientes do interior, mesmo quando a central de regulação de vagas diz não haver espaço nos hospitais, tem se transformado, segundo a direção da Santa Casa, em subterfúgio para os municípios enviarem ainda mais pacientes. “Quando o paciente chega como Vaga Zero, nós não podemos recusar, porém não estamos dando conta dos pacientes que já estão internados aqui. Não tem onde pôr . Como vamos atender novos pacientes?”, questiona o diretor técnico de rotina, Leonildo Herrero. O resultado é que hoje, os 80 leitos da UTI estão ocupados, 50 pacientes aguardam em macas espalhadas pelos corredores do Pronto Socorro que também não tem espaço. A divulgação dos números e a exposição da realidade superlotada, não vai além do alerta, informa a Santa Casa, que por lei é obrigada a atender quando o encaminhamento chega com o termo “Vaga Zero”. Hoje o Sindicato dos Médicos anunciou que pretende entrar com ação contra o estado e os municípios, por conta do caos na saúde em Mato Grosso do Sul. A entidade também esteve nesta manhã na Santa Casa, onde constatou o problema, já crônico. O Sindicato também solicitou que o governo decrete estado de emergência por conta das dificuldades. Na sala de emergência, para onde são encaminhados pacientes em estados gravíssimos, e deveriam ficar apenas por algumas horas para estabilização, tem 15 pacientes em um espaço projetado para atender apenas seis. Vítimas – Nos corredores, folhas de caderno coladas nas paredes identificam os pacientes. Uma delas é a aposentada Astrogilda da Silva, de 79 anos. Vítima de um derrame, chegou ontem à Santa Casa depois de duas horas de peregrinação entre os postos de saúde para conseguir o encaminhamento. Acompanhada da filha Jussara Moreira, de 49 anos, é medicada no corredor enquanto espera um leito no hospital. “A Santa Casa é conseqüência de um problema grave. É preciso equipar melhor os pólos do interior como Corumbá e Dourados, assim vai desafogar a demanda do hospital. Acontece que todo mundo vem para cá”, explica Herrero. Somente no mês de junho a Santa Casa realizou 1.9 mil procedimentos cirúrgicos, sendo 850 só do setor de ortopedia. Em meio a tantos problemas o hospital se mantém como referência em saúde, detendo quase 100% das neurocirurgias do SUS, transplantes e mais de 90% das cirurgias cardíacas. (fonte: jornal Campo Grande News – 23.07.2008)

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