Jacqueline Lopes Em meio aos médicos, enfermeiros, equipe da limpeza do hospital Santa Casa estão os policiais militares que fazem a escolta dos presos. “A gente vem aqui sempre. Esse ai está com tuberculose e tem outro que levou um tiro do irmão e como tinha mandado de prisão está sendo escoltado”, relata um PM (policial militar), cuja identidade é preservada. Onofre da Silva, de 63 anos, foi levado às pressas no dia 21 de julho para o hospital. Vítima de tuberculose ele é um dos 15 detentos com a enfermidade no IPCG (Instituto Penal Campo Grande). Na Santa Casa, Silva está no setor de isolamento. O bacilo da tuberculose se transmite pelo ar e não resiste muito tempo à luz do sol, morrendo em menos de 5 minutos. Por isso o contágio na tuberculose é mais freqüente entre as pessoas que vivem em confinamento. Em 9 de julho, o interno apresentou sintomas da doença e foi encaminhado ao Posto de Saúde do Bairro Tiradentes. De lá, ele foi encaminhado ao Hospital Regional, onde permaneceu internado por dez dias sendo liberado sem nenhuma indicação médica, conforme dados da Agepen. No dia 20, passou mal e foi levado novamente ao HR sendo transferido para a Santa Casa com suspeita de tuberculose. Realidade A situação de Silva traduz o que os enfermos passam até chegarem ao hospital. Os sintomas da doença são enfrentados dentro do cárcere, onde a umidade e a falta de iluminação das celas são problemas recorrentes. Hoje, Mato Grosso do Sul têm, segundo dados da Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária), 490 doentes. Em Campo Grande, que reúne ao menos 5 mil dos 11 mil detentos do Estado, existem 45 casos confirmados de tuberculose – 28 estão no EPSM (Estabelecimento Penal de Segurança Máxima), 15 no IPCG e dois na Colônia Penal Agrícola. Os casos de HIV somam 66. Assim como fora da cadeia, a hipertensão é a enfermidade que mais acomete a massa carcerária. São 178 hipertensos. Já a hanseníase foi confirmada em 4 pessoas e a hepatite em 22, são 28 detentos com diabetes, segundo estimativa da Agepen. As doenças psiquiátricas não foram estimadas. A informação é de que existe apenas um psiquiatra que presta serviço à Agepen. Mensalmente o tratamento médico aos presos movimenta R$ 800 mil. O Ministério da Saúde conta hoje com o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário, que prevê, entre outras coisas, incentivo mensal para manutenção de equipes de saúde atuando dentro unidades prisionais. Mato Grosso do Sul foi aderido em maio deste ano. São disponibilizados todos os meses R$ 1,2 milhões para o trabalho. Na pele Segundo a Divisão de Saúde da Agepen, a doença que mais assola a massa carcerária é a micose de pele, que tem difícil controle. O problema está ligado diretamente à questão de higiene que esbarra na superlotação. De acordo com a Agepen, são as suspeitas de tuberculose que deixam o sistema em alerta, pois tem que ser “tratada com muita seriedade por refletir na saúde pública e que, se não houver os cuidados que são tomados pode atingir as famílias dos detentos e funcionários”, conforme informações da assessoria. Números de óbitos não foram informados. Na Máxima, foi feito no começo do mês um rastreamento para detectar doenças infecto-contagiosas. Internos passaram por um curso de agente de saúde. Esse mesmo trabalho deverá ser estendido aos outros presídios. A situação é amenizada pelo trabalho médico-odontológico e acompanhamento de auxiliares e técnicas de enfermagem que fazem o acompanhamento da massa e anotam nas fichas pessoais as respectivas condições de saúde. Hoje, Mato Grosso do Sul tem 11 médicos, 17 dentistas, 76 auxiliares/técnicos e enfermagem, três auxiliares de dentista, 01 nutricionista, 02 bioquímicos e 01 psiquiatra. (fonte: jornal Midiamax News – 26.07.2008)

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